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Sistemas construtivos alternativos: dicas para construir mais rápido

Residência Luz, em Steel Frame

Steel Frame, Wood Frame, EPS e paredes duplas de concreto estão entre as formas de se construir mais rápidos, com mais eficiência e sustentabilidade.

Século 21, era digital e inovações por todos os lados. Seria estranho pensar então que na hora de construir casas e outras edificações ainda o fizemos do mesmo modo como no Egito Antigo, com ‘barro cozido’, ou seja, com tijolos. Apesar de já existirem diferentes métodos de construção, ainda é muito pequena a utilização, em maior escala, dos chamados sistemas construtivos alternativos. No post de hoje, vamos falar um pouco deste assunto e mostrar algumas maneiras para construir mais rápido, e de forma mais eficiente e sustentável.

Entre os sistemas construtivos alternativos, os mais conhecidos e aplicados estão o Steel Frame, o Wood Frame, o EPS (isopor), os painéis de fachada pré-moldadas, as paredes duplas de concreto, as estruturas metálicas e outras pré-moldadas. Possibilitam obras mais rápidas, sem desperdícios e com um canteiro mais limpo ao se diminuir o uso da água e reduzir a geração de resíduos.

Vale lembrar que todas essas alternativas exigem um projeto mais detalhado e específico. Isso torna ainda mais fundamental a presença do arquiteto para garantir o correto planejamento e execução da obra, além da contratação de uma construtora que seja especializada no método escolhido. Aí sim será possível realmente construir mais rápido!

Vamos conhecer algumas opções:

  • Wood Frame – Foi desenvolvido nos Estados Unidos ainda no século 19 e está disponível no Brasil há pouco mais de uma década Inovou ao padronizar e industrializar elementos de construção de edificações: as casas são levantadas com montantes de madeira, na maioria das vezes pinus tratado contra cupins e umidade. No fechamento, o mais comum é adotar placas de drywall (gesso acartonado) ou OSB (chapas de lascas de madeira prensadas) com ou sem revestimento cimentício. Neste sistema, além da sustentabilidade, há também as vantagens de redução de 80% nas emissões de gás carbônico durante a construção e de 85% dos resíduos no canteiro. O tempo de obra é reduzido empelo menos 25% em relação a alvenaria comum. As paredes são montadas na fábrica e levadas prontas para a obra. Uma casa de 250 m2 leva em torno de três meses para ser erguida e custa cerca de R$ 2 mil por m².

 

  • Steel Frame – É uma evolução do Wood Frame e o método mais utilizado no Brasil – como exemplo, todas as lojas AM/PM, dos Postos Ipiranga, vêm aplicando esta tecnologia. A diferença é que aqui a estrutura é feita em açogalvanizado, tornando-a mais leve e permitindo assim fundações menos elaboradas e a estruturação de até cinco pisos. A vedação também é feita por painéis cimentícios, drywall ou OSB. Os perfis são dispostos a cada 40 ou 60 cm sobre uma base feita de concreto e unidos por parafusos. Depois, vêm as camadas de fechamento, onde passam encanamentos, fios e um recheio de lã mineral ou poliéster, a fim de reforçar o isolamento termoacústico, que varia de acordo com a quantidade de material do miolo e o número de placas. O tempo de construção é praticamente o mesmo do Wood Frame, pois as peças também já podem vir prontas para montar – a escolha da forma de estruturação (stick, por paineis, construção modular, ‘Baloon Framing’ e ‘Platform Framing’) pode variar e com ela, variar o tempo para finalizar a obra. O valor do m2 é de cerca de R$ 3 mil.

 

  • EPS – Surgiu na Itália e foi aprimorada nos Estados Unidos. Utiliza placas feitas com telas de aço galvanizado unidas por treliças e recheadas de EPS (isopor), que chegam prontas. As paredes tem 16 cm de espessura. Os recortes necessários para colocar portas, janelas e instalações elétricas e hidráulicas são feitos rapidamente,no canteiro, depois que os painéis são fixados na base e erguidos. Para o acabamento, utiliza-se argamassa de cimento, lançada com a ajuda de uma máquina. Uma edificação com 300 m2 fica praticamente pronta para uso em cerca de sete meses e custa, em média, R$ 1,5 mil por m2.

 

  • Parede dupla de concreto – A confecção das paredes é feita na fábrica, já a montagem é no canteiro. As divisórias são formadas por dois painéis de concreto armado reforçado com ferros, com um espaço entre eles, onde passam as instalações. Dependendo da região este espaço pode também ser preenchido com cimento, lã de rocha ou EPS para melhorar a climatização. É o método mais rápido do mercado: uma casa de 40 m² fica pronta em 2 horas. O cuidado fica mesmo na fase de projeto, pois não são permitidas modificações de localização de portas, janelas, tomadas, etc. Para a construção, são necessários guindastes leves com capacidade de 20 toneladas. Se não houver espaço para um desses, a construção fica inviável. As paredes saem de fábrica lisas e podem ser executadas com cimento branco, tendo ainda a possibilidade de pintá-las.

Outra alternativa, esta bastante conhecida, é o bloco estrutural de concreto ou o tijolo modular. Perde-se na questão de conforto, mas ganha-se da facilidade da mão de obra, que não precisa ser especializada. As paredes são autoportantes, eliminando a necessidade de estrutura independente. Os blocos são sobrepostos, sem argamassa para uni-los – basta usar cola à base de PVA (poliacetato de vinila). Outra característica desse material é que pode utilizar seus até quatro furos – dois na horizontal e dois na vertical – para a passagem de condutores elétricos e hidráulicos, cabos de TV, telefone e internet. Os furos ainda podem receber ferragens e concreto, dispensando a construção de colunas e vigas. A economia ao usar os blocos de concreto podem chegar a até 30% em relação à alvenaria convencional. Porém, ele exige um projeto mais detalhado com obra rígida. Ou seja, após a execução, nada pode ser modificado.

E ainda temos a possibilidade de usar a madeira selecionada (que deve ter autorização e passar pela inspeção do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Geralmente, tem baixo custo e também leva menos tempo para ser construída que as obras convencionais com alvenaria. Com a madeira, tem-se grande conforto térmico.

No site da Recta Quatro, temos alguns exemplos de uso de sistemas construtivos alternativos: a Residência Luz (projeto e obra executados em steel frame, com paredes de estrutura de aço galvanizado e fechadas com placas cimentícias externamente e placas de gesso acartonado internamente); o Restaurante Nutrir (estrutura desmontável em aço, fechamento em aço, modulação rígida, mas desenho orgânico) e o Bloco de Ensino (edifício de quase 2 mil m2 construído em apenas 9 meses, com estrutura de concreto pré-moldado). Confere lá e se tiver dúvidas, fale conosco!